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  • Guto Bello

Plebiscito sobre aborto e drogras

Atualizado: 28 de Jun de 2018

Resposta ao vídeo do Silas Malafaia a respeito da proposta da Marina Silva

Silas Malafaia e Marina Silva

O Silas Malafaia publicou um vídeo recomendando aos cristãos que não votem em Marina porque ela propõe a realização de plebiscito sobre a descriminalização do aborto e a legalização das drogas. Antes de comentar esse vídeo colérico, injusto e desprovido de honestidade intelectual, preciso deixar claros três pontos.

O primeiro é que eu sou contra a descriminalização do aborto. Eu concordo com o aborto nas seguintes hipóteses: quando há risco de morte para a gestante, quando a gravidez decorre de estupro e no caso de feto anencéfalo. Não concordo com a decisão do STF que descriminalizou o aborto praticado até três meses de gestação. Embora nas fronteiras da legalidade existam outras situações que possam ser discutidas, em termos gerais, para mim basta o argumento que se baseia na defesa da vida.


O segundo ponto é que não tenho uma posição definida sobre a legalização das drogas ou de algumas delas. Reconheço que há bons argumentos a favor e contra.


O terceiro ponto é que Marina Silva é contra a descriminalização do aborto e contra a legalização da maconha e de outras drogas.


Feitas essas observações, passo então ao vídeo. O Silas Malafaia de forma sorrateira, com o propósito de gerar confusão na cabeça das pessoas, deu a entender que Marina seria favorável à prática do aborto e à legalização das drogas, o que não é verdade. O Silas tem inteligência bastante para compreender exatamente qual é a proposta da Marina, mas, ao publicar o vídeo, quis que as pessoas reproduzissem fake news sobre a Marina. A imprecisão é proposital. Por isso, vemos tanta gente publicar mentiras sobre a Marina.


Quanto ao aborto, há quem pense que o próprio questionamento seria imoral. Não concordo. Nem mesmo pensando na moralidade cristã, que prevalece no Brasil e a qual também me filio por uma questão de fé, poderia afirmar que o próprio questionamento é imoral. Ainda que alguma denominação cristã não admita sequer o questionamento sobre o tema, o estado brasileiro é laico e nossas decisões devem considerar todas as religiões e também os ateus. É preciso respeitar quem pensa diferente. Há inclusive cristãos que pensam de forma diferente. Não podemos demonizá-los. É preciso ouvir os argumentos. Tentar compreender o outro lado.


Não há nada de errado em sugerir um plebiscito para decidir sobre questões tão sensíveis e que dividem tanto as opiniões de especialistas e da sociedade em geral. O plebiscito é constitucional, democrático e poderá ter custo zero ou muito baixo caso venha a ser realizado juntamente com as eleições de 2020. Isso não significa dizer que os parlamentares e o Presidente da República não poderiam, como representantes populares que são, decidir a questão. Lógico que isso também é possível. Porém, dizer que alguém não merece voto simplesmente porque propõe um plebiscito não faz o menor sentido. O plebiscito dará ensejo a um amplo e irrestrito debate, considerando a realidade brasileira e a nossa trajetória enquanto nação. Qual o problema? Nenhum. Eu apoio Marina para Presidente.


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© 2018 por Guto Bello.